CASO PADRE ZÉ: TJPB TORNA RÉUS PADRE EGÍDIO, POLLYANNA E TIBÉRIO LIMEIRA
O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) decidiu, nesta quarta-feira (27), tornar réus 16 investigados no âmbito da Operação Indignus, que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo o Hospital Padre Zé, em João Pessoa. A decisão foi tomada pelo órgão especial da Corte, que acompanhou de forma unânime o voto do relator do caso, desembargador Márcio Murilo. Segundo o magistrado, existem provas suficientes nos autos, incluindo extratos bancários que apontam supostos desvios de recursos.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), os investigados teriam participado de um esquema de pagamento de propina, conhecido como “devoluções”, envolvendo empresas fornecedoras de produtos e serviços contratadas pelo hospital e pelo programa Prato Cheio. Entre os denunciados estão o padre Egídio de Carvalho Neto, os ex-secretários de Estado Tibério Limeira e Pollyanna Dutra, além de ex-diretores e funcionários ligados à instituição.
A investigação aponta que Tibério Limeira teria recebido R$ 50 mil em supostas propinas, enquanto Pollyanna Dutra teria sido beneficiada com R$ 70 mil. Conforme o Ministério Público, os valores eram repassados por meio de Amanda Duarte, tesoureira do Hospital Padre Zé, e Jannyne Dantas, diretora administrativa da unidade. As apurações também indicam suspeitas de lavagem de dinheiro, estelionato, apropriação de recursos públicos e desvio de finalidade na gestão de verbas destinadas ao hospital e à Ação Social Arquidiocesana.
As defesas dos acusados negaram irregularidades e afirmaram que a decisão representa apenas o início da fase de instrução processual, sem qualquer julgamento definitivo sobre culpa. Os advogados também alegaram a existência de nulidades e vícios processuais que deverão ser questionados nas instâncias superiores ao longo do andamento da ação.